Por Teresa Ferreira Marques
Todas as culturas têm um rito de iniciação quando as meninas entram na idade adulta. Na América Latina é a quinceañera; nos EUA tiram a carta de condução; em Israel é o Bat Mitzvah… E em Portugal, toda a menina pensa “É agora, sou finalmente uma mulher adulta!” quando, normalmente acompanhada da sua orgulhosa Mãe, vai pela primeira vez à depilação. Tal como outra marcante “primeira vez”, esta também começa com imensa antecipação e excitação; depois, o que inicialmente era entusiasmo e nervoso miudinho rapidamente se transforma numa dor agoniante e quase arrependimento. Mas no dia a seguir, vaidosas, gabamo-nos às amigas que ainda não viveram esse momento decisivo e descrevemos aquela experiência de forma absolutamente blazée porque somos agora mulheres maduras a falar para meninas ingénuas (e ainda para mais peludas, coitadas).
Rapidamente aquele ritual mensal passa a ser um imenso frete, um gasto, um fardo. Tornamo-nos obsessivas, cada pêlo fora do sítio é uma fatalidade, vivemos escravas da pinça, da cera, da epilady, da gilette… e fazemos tudo para nos livrar desta praga de vez. Com o advento das mil técnicas de depilação definitiva (a laser, luz pulsada, eléctrica…) e mil outras clínicas especializadas (“Não Pêlo”, “Clínica do Pêlo”, “Clínica Vem Daí Ó Macaca Peluda Que Assim Metes Nojo”…), há finalmente um futuro risonho!
Eu optei pela versão eléctrica que posso dizer, sem qualquer hesitação, é a coisa mais dolorosa do mundo. Esqueçam qualquer técnica de tortura, por mais selvagem que seja; esqueçam as atrocidades que vêem em slasher movies; esqueçam qualquer agressão que terão infligido ou sofrido… isto, sim, é dor! A técnica, ainda que penosa, é simples e eficaz: uma agulha, enfiada poro a poro, envia choques eléctricos e resolve o assunto de vez e mata-o, literalmente, de raiz. É maravilhoso resolver para todo o sempre esta maldição a que nós mulheres somos condenadas mas, f***-se!, dói comó caraças! Ainda não dei à luz mas imagino que todas aquelas sessões atrozes a que tive de me submeter farão com que esteja a jogar sudoku e fazer ponto-cruz enquanto estiver em trabalho de parto.
Com a evolução do Homem o corpo vai mudando e adaptando-se ao mundo em que vive: já não precisamos de braços símios até aos pés, não temos dentaduras animalescas para comer bisonte… e também já não precisamos dos malditos pêlos para proteger a pele! Há fibras! Tecidos! Roupa! Cremes! Para quando uma geração livre de pêlo, hein Darwin?
Teresa Ferreira Marques é advogada de dia e blogger de noite. Aqui vai escrever de vez em quando sobre beleza, mas, tanto quanto sei, o seu sonho é ganhar a vida a escrever sobre música. Tem 29 anos e apesar de ser lisboeta de gema usa o pseudónimo de Maria Minhota no The Evil Twin.
Foto: American Apparel
loool é impossível não adorar ler isto! Muito bom
Ahaha! Muito bom! É verdade, pêlos são uma praga, para quando a extinção?
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Ahahah, concordo, realmente para quando a extinção deles? sem as horas e horas que nós mulheres passamos na nossa vida a livrarmo-nos deles!
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ahahahha “Clínica Vem Daí Ó Macaca Peluda Que Assim Metes Nojo” muito bom. Os pêlos…os pêlos…estão a mais há imensas gerações. já não fazem cá nada….eu trocava-os de livre vontade por tecido mamário e colagénio.
Ah, comigo já foi laser, que é uma espécie de mini-choques eléctricos (imagino que seja um bocadinho melhor que a técnica da agulha) mas bolas, valeu mesmo a pena! Custou os olhos da cara (axila, bikini a e perna inteira) mas comprei descanso para a vida toda!!!)
PS: Não confundir laser com luz pulsada… porque antes cheguei a fazer luz pulsada no bikini e passados dois anos estava tudo como dantes!
adorei o post! adorava exterminar estes pêlos de uma vez por todas,pah!
mas sabes uma coisa curiosa, tive que trazer de PT as bandinhas de cera fria e boiões de cera quente para poder fazer depilação aqui nos states. É raro encontrar cera nos supermercados e é bastante cara! as americanas são mais adeptas de Gillette! iac!
Opa, que verdade!
Odeio pêlos e chega a uma altura em que nos tornamos mesmo escravas da pinça e de tudo mais para tirar o pêlinho extra! Mas não sei se tenho coragem para isso da agulha poro a poro… Auch! *