The Beauty Routine

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15 Nov 2011, TRUE STORIES.

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DIY ou não, eis a questão. A Teresa responde.

Por Teresa Ferreira Marques

Os tratamentos de beleza caseiros estão para a La Prairie e cia. como a medicina alternativa está para a Bayer e cia.: uma versão secular, pobre, infundada e hippy de uma ciência inovadora, cara, estudada e comercial. Claro que, quer os tratamentos DIY quer a acupunctura podem funcionar, até quando parece não haver creme ou medicamento que resulte mas, convenhamos, estes casos são a excepção, não a regra, e, ainda assim, é sempre meio suspeito.

Mas parece que voltou a ser moda transformar a nossa cozinha em spa. Já foi o máximo, em tempos, no final dos anos 80, quando a Body Shop estava no auge. Passei horas naquelas lojas: aqueles cheiros de fruta e flores e as amostras inesgotáveis eram altamente viciantes, uma espécie de versão feminina e saudável de snifar cola. Lembro-me que me ofereceram um sabonete de morango tão delicioso e aromático que não sabia se havia de me lavar com ele ou comê-lo.

Agora, com a inauguração (há um ano? já? será?) da Lush em Lisboa e a crise a limitar os orçamentos para a estética, voltou a estar em voga pensar “máscara facial” e não “salada” quando se fala de abacate, pepino e limão.

Há o clássico do pepino ou saco de chá frio para desinchar os olhos e remediar as olheiras ou o limão para limpar as unhas e cutículas. Até aqui tudo bem. Houve em tempos o boato de que a pasta de dentes tratava as borbulhas: como saberão depois de ter lido isto, é mito. Quanto muito terão a tez fresca de um castor. E para o cabelo são outros vinte tostões: supostamente faz bem pôr cerveja ou ovo para hidratar e água gelada e vinagre para dar brilho mas acho que mais depressa ficam a cheirar a um bitoque da Portugália do que com a guedelha da Rapunzel.

E depois há as excentricidades, claro. Desde os banhistas que se passeiam pela costa com a cara e corpo cobertos de lodo seco aos peixinhos turcos que comem as peles mortas para uma pedicure versão “National Geografic”.

Mas o pior de tudo é uma moda que continuo sem perceber mas que, claramente, há de estar a ter algum sucesso porque há quiosques daquilo em todo o lado: a alegadamente milagrosa baba de caracol. Se fosse baba de camelo, contem comigo: uma sobremesa de leite condensado que faz bem à pele? Bora! Mas baba de caracol? Baba? Caracol? Estas duas palavras não vos provocam qualquer repulsa? Será que alguém sequer questionou ou testou a veracidade deste produto? Vi um infomercial da TV Shop (altamente fiável e verosímil, portanto) em que a baba de caracol curava desde acne juvenil a leprosos. Milagroso, de facto. Curioso também o perfil, cabelo, a cara e tez do “depois” serem completamente diferentes do “antes”… mas isso agora não interessa nada. E advogam as qualidades hidratantes da baba de caracol, que “deixa até a pela mais seca a brilhar”. Pois, acredito, se me lambuzar a cara toda de saliva também é provável que fique a brilhar. NB: uma pele resplandecente não é a mesma coisa que uma pele brilhante…

Mas, a verdade é que acredito nos poderes da natureza e nos benefícios daquilo que a terra nos dá. Sinto diferenças notáveis quando como melhor, ingredientes frescos, biológicos e saudáveis, por isso admito que há fruta e flora que nos pode tornar mais belas. E gosto do lado tradicional e ancestral da coisa. A minha querida avó, de quem provavelmente herdei o gene da vaidade, não foi do tempo de se comprar cremes anti-rugas e pomadas hidratantes mas sempre jurou que nada deixa a pele tão bonita como a água de rosas. A versão dela era caseira, feita com pétalas da maravilhosa roseira que tinha no quintal, de fazer inveja à Rainha de Copas do País das Maravilhas. Ainda hoje o cheiro a rosas transporta-me 25 anos para trás no tempo, para os ares salgados e húmidos da Granja. Jamais teria orçamento nem paciência para fazer a minha própria água de rosas mas tenho sempre um frasquinho em casa, nem que seja para cheirá-lo de quando em vez para me recordar de tempos melhores, quando as flores eram sinónimo de beleza, e não moluscos gastrópodes imundos e sebosos.

 


Teresa Ferreira Marques é advogada de dia e blogger de noite. Aqui vai escrever de vez em quando sobre beleza, mas, tanto quanto sei, o seu sonho é ganhar a vida a escrever sobre música. Tem 29 anos e apesar de ser lisboeta de gema usa o pseudónimo de Maria Minhota no The Evil Twin.



 

11 Comments

  1. amberhella
    November 15, 2011

    Nunca fiz nada de pepinos, chás de camomilas para aclarear o cabelo..nem outras mezinhas caseiras..por mera preguiça talvez. a verdade é que gosto de comprar produtos de beauty, fazem-me sentir like a princess. o meu unico DYI caseiro é o mel+ sugar só porque sim, e mesmo esse não o uso para lá de 4 meses, pois decobri um esfoliante maravilhoso da soap & glory que estou meeega addicted!! eheheh agora nails and bangs giiirl I’m rocking it. o teu desmaquilhante da chanel é bom sim sra e nem me faz alergia.mas mesmo assim já sei de quem é a culpa, do rímel, n sai por nada!!! POR NADA até posso chorar…e não saí!! chorei…foi uma experiência somente com fins científicos e não saiu!! *

  2. Sara da Costa
    November 15, 2011

    “Claro que, quer os tratamentos DIY quer a acupunctura podem funcionar, até quando parece não haver creme ou medicamento que resulte mas, convenhamos, estes casos são a excepção, não a regra, e, ainda assim, é sempre meio suspeito.”

    Comparaçao inadequada; A acupunctura é uma ciencia, exacta, estudada em inumero paises, com 5000 anos de existencia, frequentemente estudada por medico e utilizada em varias doenças.
    Curso numa faculdd de medicina chinesa, com um horario intensivo durante 5 anos, penso que nao é a mesma coisa que por agua fria na cabeca para dar brilho ao cabelo.

  3. Aida
    November 15, 2011

    Adorei o artigo!!! Ainda tenho duvidas se de facto os tratamentos caseiros fazem efeito ou nao, mas a verdade e que para tanta gente os publicitar, quer ganhe dinheiro com isso quer nao, alguma coisa devem fazer, nem que seja o efeito placebo, olhar para o espelho e ver pele de bebe quando esta exactamente igual a antes!

    http://placequotehere.blogspot.com

  4. Maria Minhota
    November 15, 2011

    Peço desculpa à Sara da Costa e aos leitores: a menção à acupunctura como exemplo de medicina alternativa foi, obviamente, ignorância minha e agradeço o esclarecimento, sempre a aprender!

  5. Maria Minhota
    November 15, 2011

    Peço desculpa à Sara da Costa e aos leitores: a menção à acupunctura como exemplo de medicina alternativa foi, obviamente, ignorância minha e agradeço o esclarecimento, sempre a aprender!

  6. Melody
    November 15, 2011

    Eu por acaso, costumo fazer uns quantos DIY de beleza. E não passo sem o meu esfoliante labial com mel e açucar amarelo. É o que funciona melhor para mim, sem dúvida! Mas há muita coisa que não dá para ser DIY, nada como as boas coisinhas que são uma delícia de comprar! :) *

  7. Glimmer le Blonde
    November 16, 2011

    Eu compro tudo e nunca faço nada por casa mas estou tentada a fazer o exfoliante aqui da Mafalda! :)

  8. soblushed
    November 16, 2011

    esse tipo de cenas n é bem p mim..gosto mais assim de uns exfoliantezinhos da rituals..ou uns cremes da body shop! :D
    mas agr lembrei-m q a minha mae qd era + nova colocava uma especie de mascara de creme nivea na cara e deixava durante a noite.. a pele devia ficar sufocada,bolas!

  9. patuxxa
    November 16, 2011

    DIY não é comigo… mas há uns anos (antes de isso aparecer em todos os infomercials da TV!) usei um creme baseado em baba de caracol que me foi receitado por um dermatologista, e só se vende em farmácias. O que aconteceu foi que a minha primita teve varicela e pegou-me, eu nunca tinha tido em pequena, e fiquei cheia de marcas na cara! Pânico! Terror! Mas em três meses e com esse creme mais um retinol também de farmácia que custava para aí uns míseros dois euros, desapareceu tudo. Moral da história: respirar fundo e consultar um especialista.. :-D

  10. Isabel Peixoto de Castro
    November 16, 2011

    Fantástico artigo Maria Minhota, quem te diz é uma minhota mesmo :) que acredita em alguns DIY, depende daquilo que queremos fazer. Não acho possível fazer um creme anti-rugas, mas um exfoliante como já falaram aqui é bem possível sim, e é bom e resulta. O meu útlimo DIY mais elaborado também resultou muito bem, fiz um cheiroso e hidratante bálsamo de alfazema (se alguém quiser experimentar http://fairystyle.wordpress.com/2011/11/09/balsamo-labial-de-alfazema/).
    Quanto à baba de caracol, já usei e comprei numa de “ver para crer”, mas passado uns dias a minha pele começou a brilhar, brilhar, estava mais para pirilampa do que mais nada, e assim parei. Pode até ser bom, mas para pele mista como a minha é preciso ter cuidado, ou só usar uma vez por mês :)

    Beijos***

  11. Sara
    November 17, 2011

    Gosto mesmo como a Teresa escreve e adoro o sentido de humor. Eu por acaso gosto muito de ver os outros a fazer DIY mas eu está quieta, gosto de comprar tudo feito lol

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