The Beauty Routine

De Homo Neanderthalensis a Cristiano Ronaldo: a Evolução da Estética Masculina

Por Teresa Ferreira Marques

 

Longe vão os tempos em que estética era coisa de meninas. Qualquer que seja a orientação sexual, os homens preocupam-se cada vez mais com a imagem e o corpo e todos nós aplaudimos. Sim, claro, continuamos a babar pelo bad boy tatuado e barbudo que não liga ao que veste e ainda assim fica sexy mas, convenhamos, este look só assenta aos Johnny Depps da vida por isso preferimos, meninos, que optem pelo look preppy lavadinho e perfumado.

A verdade é que o mercado e a sociedade já há muito que se aperceberam disto. As secções dedicadas exclusivamente aos homens começam a ter dimensões consideráveis na Sephora e noutras grandes superfícies. O conceito de “produto de beleza” já ultrapassa a dupla gilette + after-shave: desde a depilação à maquilhagem, já nada é exclusivo das mulheres. Já há spas dedicados exclusivamente a homens mas até esta segregação deixou de ser necessária: mesmo o mais macho dos machos entra orgulhosamente e confiante da sua sexualidade naqueles salões de manicures que mais parecem sweatshopsclandestinas, cheias de brasileiras e ucranianas de cócoras a limar e pintar unhas numa autêntica linha de montagem. Com muito à vontade e cientes da importância de umas cutículas bem tratadas, os homens já quase comentam com as restantes clientes as novas cores da Risqué…

Mas até chegar a este ponto, há todo um processo, mais ou menos demorado, mais ou menos bem sucedido.

 

Primeiro é a fase “Homem das Cavernas”. Beleza é coisa de “gaja”. Homem que é homem tem um sabão azul que tanto serve para lavar tapetes de Arraiolos como o cabelo. Não se atreve a comer nada que seja “light” ou “0%”. Faz a barba a seco com uma catana, prefere apanhar uma queimadura em 2º grau do que pôr protector na praia e uma massagem é só a parte aborrecida antes do “happy ending”. São homens, daqueles de verdade e à antiga.

 

 

 

Mas depois evoluem ligeiramente. Já compram champô, trocam de vez em quando a cerveja por vinho e a entremeada por peixe e têm uma lâmina de barbear, ainda que descartável e que, milagrosamente, dura meses e meses… Este é o homem do século XXI: asseado q.b. com aquele ar desmazelado e descontraído que até tem o seu charme.

 

A terceira fase começa pela aceitação de que cuidar da imagem não é ser efeminado mas antes ser saudável, apurado e atraente. Começam a ir ao ginásio e a almoçar “comida de gaja”, leia-se, sopa, salada e fruta. Põem um after-shave e hidratante depois de fazer a barba com uma boa máquina ou lâmina, e um bom perfume (e, bolas, o efeito que pode causar um bom perfume!). Têm mais atenção à roupa: já usam outra coisa que não t-shirts XXL oferecidas em eventos da empresa ou com o logótipo da Sumol e até podem comprar uma GQ ou Vogue Uomo. Este é o protótipo do homem urbano, hip e contemporâneo. É o nosso amigo, irmão, namorado ou marido.

 

Qualquer passo a seguir já é mais arriscado, recomendado apenas a peritos, sob pena de se tornarem bonecos de cera assexuados. As sobrancelhas são mais desenhadas que as da Marlene Dietricht, têm o corpo mais depilado que uma actriz porno, vão mais vezes à manicure do que à bola, vão ao cabeleireiro e não ao barbeiro, o ginásio é um cerimonial de culto e até quando comem sushi contam as calorias. E, a última fronteira, usam maquilhagem: desde o look emo de eyeliner e verniz descascado ao look clean com base e anti-olheiras, já dominam os pincéis que nem a Pat McGrath. É o metrossexual elevado ao exponencial máximo, o tipo que veste skinnys Comme des Garçons, brogues Loubotain e casaco Gareth Pugh, sabe mais de moda e tendências do que alguma vez sonhámos saber e acha a Lady Gaga conservadora.

 

De macho a metro, em que fase estão, meninos?

 


 

 

 

P.S.: Sabiam que o The Beauty Routine está no Facebook? Sigam aqui!

 

 

 

 Teresa Ferreira Marques é advogada de dia e blogger de noite. Aqui vai escrever de vez em quando sobre beleza, mas, tanto quanto sei, o seu sonho é ganhar a vida a escrever sobre música. Tem 29 anos e apesar de ser lisboeta de gema usa o pseudónimo de Maria Minhota no The Evil Twin.





 

6 Comments

  1. pureza mello breyner
    November 21, 2011

    como sempre… adorei! o “meu homem” está aí algures entre a segunda e a terceira fase…

  2. Ana Margarida Salvador
    November 21, 2011

    oh Ryan…

  3. sónia jesus
    November 21, 2011

    M A R A V I L H O SO !!!

  4. soblushed
    November 22, 2011

    hihi..homens! o meu namorado n acha mt piada aos cremes grr! e só p dispersar começa: ‘tão mas a água não hidrata?’ tu ru ru

    BTW, Teresa, adoro como escreves. seja em Pt ou em Inglês.

  5. Glimmer le Blonde
    November 22, 2011

    É com satisfação que digo que o meu anda ali entre o segundo e o terceiro nível… é assim um mix! Gostei da teres post o Ryan a ilustrar, é sempre bom ver este rapaz!

  6. inversiva
    December 3, 2011

    Só para ver o Gosling já valeu a pena hahah
    houvesse mais rapazolas que se cuidassem mais um bocadinho, sem grandes exageros, e sem sobrancelhas aparadas se faz favor.

Leave a Reply

Últimos artigos

Últimos comentários