Por Teresa Ferreira Marques
A razão pela qual as mulheres se arranjam e se produzem é simples: porque querem ficar mais bonitas. Mais complexa é a questão de saber para quem é que as mulheres se arranjam e se produzem: para ninguém? Para si próprias? Para as amigas? O namorado? Ou o sexo oposto em geral?
As respostas variam conforme a mulher e a ocasião.
A falsa modéstia leva algumas de nós a responder: “Eu não penso em ninguém, visto-me em cinco minutos com a primeira coisa que tiro do armário”. Sim, claro, e essas madeixas loiras, também foi o sol que te aclarou o cabelo, queres ver?
Todas nós, por muito preguiçosas e pouco vaidosas que sejamos, nos vestimos e maquilhamos conforme o dia que vamos ter, as pessoas que vamos encontrar e a roupa lavada e engomada que temos à disposição (o que, no meu caso, chegados certos dia da semana, me deixam uma escolha muito limitada!). Pelo menos, na minha experiência, nem a roupa de andar por casa é escolhida ao acaso. Até quando faço a lide doméstica escolho propositadamente uma roupa velha que não gosto e não me importo que leve salpicos de lixívia: são aqueles kits despromovidos, que começam como toilette especial para roupa do dia-a-dia para kit praia depois roupa de ginástica e, o fim da linha, roupa para limpar a casa.
Depois há meninas que respondem que se vestem a pensar nelas próprias. Isto já me parece possível. Irritante e invejável, sim, mas possível. Há, de facto, amigas minhas que nunca são apanhadas desprevenidas: desde o brushing à manicure, estão sempre impecáveis. Não ligam à opinião dos outros, vestem-se como querem, arranjam-se quando querem e, invariavelmente, estão sempre maravilhosas. Sem grandes surpresas, este não é o meu caso: se souber que vou estar o dia todo sozinha em casa sem ser vista por ninguém, não vou pintar-me nem escolher uma roupa apresentável para ficar enrolada na manta a ver televisão e fazer scroll no Google Reader. E se me fazem aquela visita surpresa e aparecem lá em casa sem pré-aviso, tenho de inventar uma desculpa para justificar a minha indumentária: “Ah, é que o meu armário não abria, tive de ir pedir a bata emprestada à Dona Arminda lá de baixo, não liguem…”.
Quando nos vestimos a pensar no namorado, há que ter em atenção se vamos estar a sós ou se vai haver outras presenças masculinas. Num romântico date a dois, os rapazes querem a nossa versão sensual e flirty. Caso contrário, a definição deles de “sexy” muda logo; de repente adoram o look mórmon e herdam o discurso do nosso pai: “Essa saia não é um bocado curta?”, “Esse vestido não é muito decotado?”, o clássico “Isso usa-se!?” ou a pretensa simpatia e preocupação: “Queres mesmo levar esses saltos? Somos capazes de passar ainda pelo Bairro, é melhor levares estas botas ortopédicas que te comprei. Combinam com este tchador opaco, ora experimenta”.
Será então que nos arranjamos a pensar no sexo oposto? Parece a resposta mais óbvia mas, honestamente, acho que não são os homens que determinam a escolha da nossa indumentária, caso contrário ia andar por aí muito mais mulheres vestidas à p*ta. Eu sei, meninos, eu sei: vocês gostam é de raparigas pouco maquilhadas, discretas, com boa conversa e tapadinhas. Sim, claro, agora digam-nos lá isso sem olhar para a badalhoca de botas acima do joelho, mini saia, fio dental e decote até ao umbigo. Pois, calculei.
Outra prova de que as mulheres não se vestem a pensar (só) nos homens é que continuamos a aderir a modas que deixam o sexo oposto perplexo: são os chamados “Man Repeller”, expressão tão engenhosamente cunhada pela nova-iorquina Leandra Medine. Por exemplo:
As Uggs. Reconheço que não têm propriamente a elegância de um Louboutin mas que a moda pegou, lá isso pegou. E são, sem sombra de dúvida, os sapatos mais confortáveis do mundo: estas botinhas australianas são o meu kit predilecto para o fim-de-semana mas não é um look aprovado pelo meu namorado que invariavelmente manda a piada do “mas não vais tirar as pantufas?”. Engraçadinho.
Calças Harém. Confesso que aqui partilho a opinião dos rapazes e não consigo compreender estas “calças do cócó” (digam-me que aquilo não é uma fralda pesada!?). Já acho um lookmuito pouco favorecedor até na mais alta, magra e elegante das mulheres mas então em mim, com este tamanho liliputiano e pernas de Polly Pocket, só me apetece gritar “Hammer time!”.
Crop Tops. Sou uma fervorosa adepta de tops curtinhos, quer da versão mais larga à anos 80 quer da versão mais menineira, justinha e com rendas. Mas os homens ficam um bocado perplexos com este visual infantil e a chalaça do “Ah, encolheu na máquina!” deixa-me adivinhar que não adoram.
Cabelo Curto. Um dos meus maiores desgostos é não poder usar um corte de cabelo à Jean Seberg. Gosto tanto mais do cabelo curtinho à garçonne mas esses penteados são exclusivos para cabelos domáveis e carinhas larocas como a Audrey Hepburn, a Mia Farrow e, claro, a nossa maravilhosa Maria João. Mas os homens continuam a associar sensualidade a cabelos compridos. Já a adorável Michelle Williams se queixava, quando fez o célebre “pixie haricut”, que os únicos homens que gostaram do novo visual foram os amigos gays.
Batom Vermelho. Não sei se por se sentirem intimidados pela femme fatale mas o batom vermelho, a minha maquilhagem predilecta par a noite, sobretudo depois das dicas do TBR, não é apreciado pelos homens.
Lingerie. Sempre defendi que se uma mulher usar uma bruta lingerie vai sentir-se poderosíssima, independentemente de estar de fato-de-treino e crocs. É uma arma secreta: só nós sabemos que estamos com um conjunto transparente da Myla e andamos com outra atitude e postura, de confiança renovada, a exsudar sensualidade. Às vezes vejo no ginásio miúdas com um arrojadíssimo push up de renda e um fio dental de envergonhar a mais descarada das strippers, e depois tapam-se com umas banalíssimas calças de ganga e um camisolão. Apetece-me ir lá aplaudi-las (o que, admito, seria estranho no já sinistro ambiente de balneário) e em tom de cumplicidade dizer-lhes “Hoje vai haver festa, ó sua atrevida!” (o que seria igualmente estranho, dentro ou mesmo fora do dito balneário).
Não se trata aqui dos homens não gostarem de lingerie. Eles gostam, não duvido, mas o que é que constitui lingerie sexy? Os homens pensam o mesmo que as mulheres? Nas cores, por exemplo, eu não gosto de roupa interior vermelha, usualmente associada à luxúria máxima. Roupa interior preta já me parece mais unânime: é chique e elegante, quem não gosta? O branco, normalmente ligado a castidade e inocência e desprezado pelos homens, pode ser uma cor tão sensual, especialmente numa pele bronzeada: bem sei que a Beyoncé é poderosa mesmo com umas cuecas de gola alta e soutien de ginástica, mas o conjunto que ela usa no “Best Thing I Ever Had” é prova de que o branco é imbatível.
Por isto tudo chego à conclusão de que nós, mulheres, nos vestimos a pensar umas nas outras. Quantas mulheres não valorizam mais um elogio vindo de outra mulher do que de um homem?
As mulheres observam-se umas às outras com uma perícia que nem o David Attenborough na mata africana. Reparamos nos mais pequenos detalhes, analisamos a roupa, invejamos algumas peças, detectamos a marca de outras e as que foram compradas no estrangeiro, imaginamos makeovers completos…
A melhor maneira confirmar se estou bem vestida é estar atenta aos olhares das mulheres. Se houver olhares de desprezo por parte das mulheres (e lascivos por parte dos homens) é porque estou demasiado descascada e ordinária: kit chumbado, portanto. Se os olhares são queridos (e os homens nem reparam), então é porque devo estar com um vestidinho com gola Peter Pan, collants opacos e Mary Janes: zero sex appeal, portanto. Se me tratam por “a senhora” é normalmente porque estou com roupa de trabalho ou, infelizmente, com um look “irónico” que falhou redondamente e as pessoas acham genuinamente que ainda tenho aquele guarda-roupa desde os anos 80… Outfit fail. Mas o equivalente a três estrelas Michelin é o olhar fixo e invejoso das mulheres, num misto de cobiça e admiração: é a aprovação máxima. Toilette a repetir ad nauseam!
Por fim, outra prova de que as mulheres se vestem umas para as outras é a mala. Acessório feminino por excelência, a verdade é que os homens não ligam bola à carteira que trazemos (nem sequer reparam se trazemos uma, quanto mais a cor, marca, pele ou feitio). Mas nós, meninas, todas adoramos malas. É o acessório mais democrático: alta, baixa, gorda, magra, feia ou bonita…. One size fits all! Fica bem a todas! Nós, inevitavelmente, comentamos a Chanel da Alexa Chung ou discutimos se a Louis Vuitton da não-sei-quantas será mesmo verdadeira… Mas ainda estou para ouvir o homem que comente “Tchii, já viste aquela miúda com uma Birkin vintage!? Que mala sexy”.
E vocês, meninas, arranjam-se a pensar em quem?
Teresa Ferreira Marques é advogada de dia e blogger de noite. Aqui vai escrever de vez em quando sobre beleza, mas, tanto quanto sei, o seu sonho é ganhar a vida a escrever sobre música. Tem 29 anos e apesar de ser lisboeta de gema usa o pseudónimo de Maria Minhota no The Evil Twin.
Fotos: Terry Richardson, The Men Repeller & Unknown Sources.
simplesmente adorei. ahahah!
Não gostam de batom vermelho? Que tristeza, tsk tsk.
hahahaha! Na mouche!
definitivamente, as mulheres vestem-se umas paras as outras, n há uma dúvida! já tentei explicar isso ao meu marido, mas ele ainda n percebeu!!
é exactamente o que dizes, olhares de inveja: look a repetir! somo todas muito amigas mas se me dizem “ai que irritante, que é essa toillette?” já sei q é para levar como elogio…
hehe, q fixe! bem, tenho a dizer q p mim será um pouquinho de cada..
as minhas labmates sao mt pouco fashions, sao tipicas americanas que primam o ultra-conforto! lol eu ja n sou assim, gosto de me produzir um pouquinho (e ja nem uso maquilhagem aqui.. ‘uuuuu. onde é que vais?). para mim a roupa da-me confiança! e qd tou de fato treino é pq tou mm mt preguiçosa…
os homens sao todos iguais, poxa! o meu namorado é daqueles do matchi-matchi! :S
Olá Teresa!
Sempre fui da opinião que as mulheres não se vestem para os homens mas para as mulheres. É a elas que queremos fazer inveja e ser superiores. Afinal são elas a nossa competição e se ganharmos a elas eles estão no papo. Ahahah
Adorei o teu blog. Parabéns
Beijinhos*
http://superstarblog.blogs.sapo.pt/